Fazer um balanço deste ano é fácil, foi um ano que começou em janeiro acabou a 13 Março2020.
É isto. Mas como sou muito picuinhas nestas coisas, vou descrever assim a modos que por alto o que se passou nos outros meses, a que carinhosamente chamo meses do demónio.
Neste meses do demónio em que ficámos meses confinados em casa muito se fez, como por exemplo comida. Sim, adoro cozinhar, mas em casa e com mais tempo acabei por me dedicar de alma ao meu fogão e aperfeiçoei algumas técnicas.
Lixei as mão de tanto álcool gel usar, que deixei de ter palmas das mãos para passar a ter lixas.
Cantei parabéns via zoom e vídeo chamadas, larguei lágrima de emoção e tristeza sozinha.
Não festejei os 70 anos da minha mãe, não abracei, ela não é dada, mas meses mais tarde encontramo-nos nas compras e entre nabiças e batatas demos um abraço de mascara nas fuças.
Adiei viagens marcadas, espetáculos, festas e jantares com amigos, adiar não é cancelar, é verdade, mas nestes meses com tantos adiamentos senti que estava adiar a vida e momentos que não vão voltar. Se olharmos para trás estes pequenos momentos nunca mais vão voltar e são estes momentos que também nos fazem seguir em frente.
Adiei as minhas corridas, desde março que não corro, sinto falta desse convívio, do bater dos pés no alcatrão.
Não passei as férias com os meus amigos, não houve festas de família.
Adiei abraços.
Apaixonei-me por um rabinho lindo com a ponta branca e consegui convencer os dois moços e assim ganhei uma alegria nova em casa, o meu cão o meu Marty, este pequeno pónei, doido, teimoso, mas que nos dá muitas alegrias.
Tive susnset maravilhosos todas as sextas com os amigos virtuais, foram momentos únicos de partilha, de piadas, gargalhadas parvas.
Arranjámos o nosso cantinho no Alentejo e passei lá uns dias de férias bons, longe da confusão.
Voltei ao escritório, foi uma lufada, em trabalho misto, ora uns dias em teletrabalho, ora uns dias no escritório. O teletrabalho é bom, sim é, mas é tão bomm poder sair de manhã ir para o gabinete, trabalhar. Faz falta estar com outras pessoas.
Confinamos novamente, as coisas pioram bastante em termos de números de infetados.
O miúdo vem para casa em isolamento profilático, sem dramas pois anda sempre de máscara e não teve qualquer contacto com a colega doente, mas esteve os 14 dias em casa tal como a turma toda, entretanto entrou em férias escolares.
Chega o Natal, época que adoro, uns dias frios e tristes, sem a família, em vez dos habituais 14 ficámos 3 e um patudo, foi diferente mas faltaram as avós, o barulho das conversas cruzadas, os risos dos miúdos.
O que mais senti falta este ano foram os abraços, sem duvida que somos feitos de afetos, eu então sou muito expressiva e os abraços são a forma de transmitir tudo o que sentimos sem precisar de falar. Por isso o que mais senti falta foi dos Abraços que ficaram por dar.
Amanhã é o ultimo dia do ano, dia que por excelência é de festa, de alegria, dia em que estou com os meus amigos, amanhã vai ser o último dia deste ano do demónio, não vai ser aquelaaaa festa, não sinto vontade de festejar, mas vou sorrir ao novo ano, ele chega envolvido em esperança com a nova vacina e essa luz ao fundo do túnel, ainda que ténue, já se avista e com ela vêm os tão desejados e amados abraços, as tão desejadas viagens, os tão desejados beijos e jantares com amigos.
O poder estar com as pessoas sem medos, será que vamos conseguir?
Muito se vai escrever sobre este ano, uma coisa é certa vivemos uma pandemia e menos de um ano depois estamos a presenciar a evolução da ciência, com a criação de várias vacinas.
Por isso aqui fica o balanço possível, nem tudo foi mau, tivemos de nos adaptar e assim foi, criámos novos hábitos, reaprendemos a viver noutro contexto.
Continuem a fintar o bicho, porque até ao verão temos de continuar no mesmo registo, mas pensem vamos voltar abraçar, a viajar, a viver.
Que 2021 chegue enrolado em abraços, sorrisos e alegria e saudinha da boa é o meu desejo.
Quanto ao Covid, olha filhinho por mim vais de C.. canoa , canoa enfiado dentro de uma zaragota.